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Estudo Revela que Chatbots de IA Mudam suas Personalidades de Acordo com o Idioma Utilizado

11h01 5 min de leitura




Nos últimos anos, a inteligência artificial tem conquistado espaço em diversas áreas do nosso cotidiano, desde assistentes virtuais até sistemas avançados de suporte ao cliente. Entretanto, uma questão intrigante vem ganhando atenção na comunidade científica: os chatbots de IA podem realmente mudar suas características de personalidade de acordo com o idioma em que são questionados?

Um estudo recente divulgado pela Royal Society Open Science trouxe dados reveladores sobre esse fenômeno. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Ciência e Tecnologia da China, o estudo analisou como diferentes modelos de chatbots apresentam variações em suas respostas quando operam em idiomas distintos, como o inglês, mandarim e francês. Essa pesquisa ilumina um aspecto pouco explorado da inteligência artificial, indicando que esses sistemas podem não possuir uma personalidade fixa, mas sim uma moldada por fatores linguísticos e culturais.

Metodologia do Estudo e Modelos Analisados

Para realizar uma análise aprofundada, os cientistas envolveram diversos modelos de IA reconhecidos no mercado, incluindo o ChatGPT-4, Gemini 2.0 Flash, DeepSeek-V3, Ernie 3.5 e Le Chat. Cada um desses modelos foi submetido a um teste padrão por meio do preenchimento do Big Five Inventory-2, uma ferramenta consistente para avaliar cinco dimensões de personalidade: abertura, conscienciosidade, extroversão, agradabilidade e neuroticismo.

As questões do questionário, compostas por 60 afirmações, foram feitas em dois idiomas principais: inglês e mandarim. Uma versão do Le Chat também foi avaliada em francês, com 30 execuções para cada idioma, buscando determinar se há diferenças significativas na avaliação de personalidade de cada sistema em diferentes contextos linguísticos.

Principais Resultados e Impactos das Variações Linguísticas

De maneira geral, os sistemas de IA apresentaram avaliações positivas em relação a sua cooperação e confiabilidade, além de baixos níveis de emotividade negativa. Isso confirma a tendência de esses programas responderem de forma favorável às perguntas, reforçando uma imagem de sistemas confiáveis e colaborativos.

No entanto, detalhes nuances foram observados. Por exemplo, no aspecto de abertura à experiência, o ChatGPT-4 obteve notas próximas da pontuação máxima, 4,74 em inglês e 4,81 em mandarim. Já o DeepSeek-V3 marcou 4,83 em inglês e 4,81 em mandarim. Outros modelos, como o Gemini 2.0 Flash, mostraram maior conscienciosidade e menores níveis de emotividade negativa em respostas em mandarim, sugerindo que o idioma influencia significativamente a característica de personalidade exibida pelo sistema.

Comparação com Pesquisas sobre Comportamento Humano

Para entender melhor essas diferenças, os pesquisadores compararam os resultados obtidos com estudos tradicionais sobre comportamento humano realizados em diversos países, como Estados Unidos, China e França. Curiosamente, nenhum modelo apresentou uma correspondência exata aos perfis de personalidade típicos de suas populações de origem. Isso sugere que, embora os chatbots possam adaptar suas respostas de acordo com o idioma, suas personalidades ainda não são fixas nem idênticas às de uma pessoa de um determinado país.

Outra conclusão fundamental é que, ao solicitar uma segunda opinião em um idioma distinto, o usuário pode realmente receber uma resposta diferente – e não apenas uma tradução literal. Essa variabilidade reforça a noção de que o idioma tem uma forte influência na forma como o sistema de IA se apresenta, o que pode afetar desde a percepção do usuário até decisões baseadas nessas respostas.

Variações Confirmadas por Outras Pesquisas

Mais do que o estudo chinês, análises anteriores conduzidas por empresas como a Anthropic também confirmaram que diferentes modelos de IA se comportam de maneiras distintas conforme o idioma utilizado. A empresa, por exemplo, verificou que o Claude, um de seus modelos, manifesta comportamentos diferentes dependendo do idioma e do modelo contratado. Esses resultados reforçam a hipótese de que a linguagem influência diretamente o comportamento das inteligências artificiais.

Por outro lado, os pesquisadores advertem que os dados atuais apenas indicam como os chatbots reagem a prompts específicos, não podendo afirmar com certeza que eles possuam uma personalidade realmente variável. Ainda é preciso destacar que fatores como o conjunto de dados de treinamento, o design do sistema e as traduções podem impactar esses resultados, gerando dúvidas sobre se tais diferenças representam uma adaptação cultural ou uma limitação técnica do sistema.

Implicações Éticas e Culturais do Estudo

Essas descobertas levantam questões importantes sobre a utilização de IA em contextos multiculturais e multilíngues. Por exemplo, um chatbot que responde de formas diferentes dependendo do idioma pode inadvertidamente reforçar estereótipos culturais ou criar percepções diferentes sobre a mesma entidade digital. Além disso, a consistência da personalidade de uma IA é um fator importante para a confiança e a experiência do usuário, especialmente em aplicações sensíveis ou de larga escala.

Por esses motivos, os desenvolvedores e pesquisadores precisam continuar investigando essa influência do idioma, buscando entender se essas mudanças representam uma falha nos algoritmos ou uma tentativa intencional de adaptação às normas culturais de cada idioma.

Conclusão

O estudo demonstra que os chatbots de inteligência artificial podem não possuir uma personalidade fixa, mas sim uma que varia de acordo com o idioma em que operam. Essas diferenças, confirmadas por múltiplas pesquisas, mostram que a linguagem influencia o comportamento dos sistemas de IA, podendo gerar respostas distintas que parecem refletir traços de personalidade diferentes. Contudo, é importante lembrar que esses resultados não indicam uma personalidade verdadeira ou consciente, mas sim uma resposta condicionada por fatores linguísticos, culturais e técnicos.

À medida que a inteligência artificial evolui, entender essas nuances será fundamental para desenvolver sistemas mais confiáveis, éticos e culturalmente sensíveis. Assim, o avanço dessa tecnologia deve ser acompanhado de estudos contínuos para aprimorar a padronização e a transparência das respostas de IA em diferentes contextos sociais.

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Sobre o Billy

Fundador da East Rock, agência especializada em IA para prestadores de serviço, Billy testa na prática o que vai virar tendência no Brasil antes de chegar aqui. Em 3 anos de IA aplicada, acelerou mais de 1.000 empresários e construiu operações comerciais autônomas, incluindo um agente que vendeu mais de R$200 mil sozinho.